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Confraria / Irmãos
A Confraria da Rainha Santa Isabel

Entre as múltiplas manifestações de devoção à Santa Rainha Isabel verificadas na sequência da Sua beatificação pelo Breve de Leão X, datado de 15 de Abril de 1516, quase todas sob o alto patrocínio de D. João III e da Rainha D. Catarina, a criação da Sua Confraria é por certo uma das mais importantes e significativas, tanto pela sua longa duração de cerca de quatro séculos e meio, como pelo número de fiéis que ao longo desse tempo movimentou.

Foi na sequência desse impetuoso movimento de devoção, que envolvia todos os estratos da grei portuguesa, dos membros da Família Real aos mais humildes habitantes, não só de Coimbra e do seu termo, mas do Reino inteiro (fenómeno que, em 1556, levará à extensão dos actos litúrgicos até então limitados à diocese de Coimbra às restantes dioceses do Reino), que, no intuito de darem realidade institucional a um elevado concurso de fiéis à igreja do mosteiro para, venerando-a, lhe impetram a protecção e lhe agradecem as graças recebidas. Assim, no decorrer da década de 50 do século XVI, a Abadessa do Mosteiro, D. Ana de Meneses, juntamente com as sacristãs D. Marta da Silva e D. Ambrósia de Castro, secundadas por outras pessoas religiosas e seculares, deliberaram instituir uma confraria destinada a promover a glória de Deus e a honrar a Santa Rainha, aplicando o remanescente de esmolas que o culto deixasse livre no amparo aos irmãos mais necessitados, a quem deviam assistir na doença e na morte. E para que a nova instituição obtivesse plena regularidade canónica, logo de apressaram a pedir a confirmação dos respectivos estatutos ao Bispo da diocese, D. Fr. João Soares, solicitação a que o prelado anuiu, visto que, em 1560, por iniciativa das mesmas religiosas, saía da tipografia coimbrã de João da Barreira, uma Vida e milagres da gloriosa Rainha Santa Isabel, mulher do Católico Rei D. Dinis sexto de Portugal. Com o compromisso da Confraria do seu nome, e graças a ela concedidas. M.D.LX.

Pormenor curioso entre quantos eram neles estabelecidos, era que, dos dois mordomos, que, com outros «oficiais», deviam reger os destinos da Irmandade um devia ser «dos mais honrados da cidade» e o outro, estudante. Isto para que «o corpo da Universidade e [a] cidade com igual devoção e caridade, sem divisão [procurasse] o bem desta Santa Confraria e seu aumento».

Os primeiros mordomos eleitos foram António Alpoim e um clérigo de nome António Brandão.

Dado que, com as mudanças inerentes ao correr do tempo, aqueles primeiros estatutos se iam desactualizando, elaborou-se novo compromisso em Julho de 1647, mas, pela prolongada situação de sede vacante, decorrente da Restauração, só em 1671 os reiterados esforços da Mesa da Confraria alcançariam do Bispo-Conde D. Fr. Álvaro de São Boaventura a sua indispensável confirmação.

Apesar da vitalidade da devoção a Santa Isabel, que a canonização, em 1625, no pontificado de Urbano VIII, viera certamente aumentar, a Confraria chegava a meados do século XVIII a tal estado de decadência que as religiosas pediram ao Rei D. José uma intervenção no sentido de a recuperar, ao que o Monarca Acedeu, por provisão de 15 de Julho de 1771.

As lutas liberais acarretaram tais perturbações na vida da Confraria que a sua actividade esteve praticamente extinta e só vindo a retomar-ser com regularidade a partir de 1852, por intervenção do futuro Arcebispo de Braga, D. António de Freitas Honorato, daí resultando uma revisão dos Estatutos, só aprovados, no entanto, em 20 de Abril de 1891.

Durante o último século viu-se a Confraria animada pelo saber histórico, profunda devoção e grande dedicação de algumas das figuras mais em evidência na vida religiosa de Coimbra, como o Doutor Sousa Gomes e, sobretudo, o P.e Doutor António de Vasconcelos, a quem se ficaram a dever novos neste momento em processo de revisão.

Ao longo dos quatro séculos e meio da sua gloriosa existência contou a veneranda Instituição com a presença e participação de muitos milhares de devotos da Santa Rainha, desde o simples povo anónimo aos membros da Família Real portuguesa e a altas figuras da Universidade, da Política, da Administração e da Sociedade portuguesas.

Na senda do exemplo com tanta santidade cumprido em vida pela doce Princesa de Aragão, feita Rainha de Portugal, e na fiel observância do espírito dos que, no século XVI a criaram, tem procurado e continua a procurar ajudar, na medida das suas possibilidades, os pobres e desprotegidos, através do apoio que presta às várias instituições de solidariedade social que opoeram em Coimbra.

Em simultâneo consagra-se com vivo fervor e devoção ao louvor de Deus mediante o culto prestado à sua Excelsa Padroeira, não apenas cuidando do Seu Templo e das suas alfaias, mas promovendo com pontual regularidade todos os actos litúrgicos que esse culto envolve, nomeadamente no dia da Sua festa, incluindo, nos anos pares, as procissões que trazem a peregrina beleza da Imagem em que Teixeira Lopes a representou até à Sua Cidade de Coimbra, para, três dias depois, a reconduzirem ao templo de Santa Clara-a-Nova.

No momento presente, novos horizontes se rasgam à sua actuação, através do desenvolvimento e valorização de uma componente cultural que, fazendo dos espaços do Mosteiro, uma expressão viva de todas as formas de arte a que a esta veneração de séculos deu lugar, possa conferir uma nova dimensão à presença da Rainha Santa na vida actual da Sua Cidade de Coimbra.

Aníbal Pinto de Castro

 

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