00351 239 441 674
secretario @ rainhasantaisabel.org
Graças Recebidas

Nesta secção publicaremos as graças que Deus tem concedido por intercessão da Rainha Santa Isabel. Quem nos quiser fazer chegar essa informação para ser publicada nesta página, deverá enviá-la para o nosso correio postal, deixá-la na Igreja da Rainha Santa ou enviá-la para o nosso correio electrónico (presidente@rainhasantaisabel.org).

No dia 21 de fevereiro de 1969 a bela Rainha Santa Isabel concedeu-me uma maravilhosa graça. Nasceu o meu filho mais velho. Nasceu prematuro, tão só com um quilo e seiscentos gramas de peso. Esteve nove dias na incubadora e eu, mãe pela primeira vez, estava desesperada e foi a ela que recorri com todas as minhas forças, a pedir-lhe que por sua intercessão rogasse ao Senhor por aquela criatura tão frágil. Roguei-lhe que seria a primeira casa que visitaria, logo que saísse da maternidade Bissaya Barreto de Coimbra. E assim foi! Cheguei à sua casa com ele nos braços e de joelhos lhe agradeci a grande graça que me concedeu, a boa Senhora e Mãe.
A Enfermeira dizia que o meu menino não teria muitas possibilidades de sobreviver. E hoje, graças à intercessão da Rainha Santa Isabel, com quarenta e seis anos de idade, é pai de dois rapazes já granditos e muito devoto da boa Senhora Rainha Santa.

MJ  (2015)

***

Venho agradecer a graça concedida após ter rezado à  Rainha Santa Isabel, padroeira de Coimbra, cidade onde nasci. Meu pai estava muito doente e todos os filhos, incluindo-me a mim, estavam sem esperança de ele recuperar. Eu invoquei o nome da Rainha Santa e meu pai felizmente recuperou.
Fiquei muito agradecido pela sua protecção e feliz pelo meu pai. Bem haja para todo o sempre, minha doce e meiga Rainha Santa.

Luís Alberto Almeida

***

Eu nem era grande devota da Rainha Santa, mas um dia, por indicação da minha médica de família, realizei testes oncológicos no IPO que deram positivo. Os médicos decidiram realizar novos testes para confirmarem.
Um dia, enquanto esperava pelos resultados destes segundos testes, fui à missa à igreja da Rainha Santa e pedi-lhe que me curasse; ao passar diante do Santíssimo, quando me benzi, para ir para o Recordatório, estremeci e senti no corpo algo inexplicável e que ainda não consigo descrever, enquanto ouvia, ao mesmo tempo, uma voz dizer-me “Está descansada porque tu não tens nada”. Olhei para os lados a ver se tinha sido sugestão de alguém, mas não era o caso. Passados dias, quando fui ao IPO saber o resultado dos segundos testes, disseram-me que tinham confirmado e reconfirmado que eu afinal não tinha nada.
A partir daí fiquei uma devota muito grata à Rainha Santa Isabel. Muito obrigada, Senhora.

Anónima – Coimbra (2012)

***

Há muitos anos atrás, a minha mãe esteve às portas da morte devido a uma infecção grave, na sequência de uma operação.
Temendo pela vida da minha mãe, pois não via melhoras, mas deterioração da sua saúde, pedi à Rainha Santa Isabel que a salvasse.
Prometi ir à procissão, se a minha mãe se salvasse. O milagre realizou-se e eu fiquei radiante de felicidade.
Bem-hajas Rainha Santa. Bem-Hajas.
Estou-te grata para toda a eternidade.

Guida Simão

***

Há uns anos, eu e meu marido tivemos um acidente em Coimbra, na curva da estrada nacional junto à  Estação Velha, em que o automóvel galgou o muro e caiu na linha do comboio. Graças a Deus, por intercessão da Rainha Santa Isabel, que eu senti a meu lado, não me aconteceu nada. Meu marido ficou em coma, mas conseguiu recuperar. A ela devemos a vida.

Anónima – Figueira da Foz

***

Venho agradecer a Deus e a intercessão da Rainha Santa Isabel pelo sucesso na cirurgia que minha mãe Helena Pereira realizou no coração, onde trocou a válvula mitral, e a recuperação dela também está sendo um sucesso, agradeço a Deus e a intercessão da Rainha Santa Isabel e de Nossa Senhora Aparecida pelo meu discernimento vocacional nesse ano que se passou de 2013, e pela minha entrada no Seminário Diocesano Sagrado Coração de Jesus de Mogi das Cruzes.

Marcelo Silva (São Paulo, Brasil-2013)

***

Meu nome foi escolhido em devoção à Rainha. Há um ano não conseguia andar
sozinha na rua, pedi à Rainha Santa Isabel pela minha recuperação e hoje
estou bem melhor.

Izabel S. C. (Brasil-2013)

***

O meu filho, que agora tem 29 anos, esteve muito doente aos três meses de idade, com uma pneumonia de último grau, e os médicos disseram-me que já nada havia a fazer e que me preparasse para o pior. Roguei à Rainha Santa que me acudisse em tão grande aflição e o menino curou-se sem ninguém saber como. Desde então, há 28 anos que venho de joelhos na procissão da Penitência e vou continuar a fazê-lo até poder.

Isabel Maria dos Santos Ferreira (Sé Velha – 1981)

***

Sofria muito das varizes. Andei alguns anos em tratamento, mas o mal não sarava. Os tratamentos começaram a tornar-se muito dispendiosos  Um dia, cheia de dores logo a seguir ao tratamento, ao subir a Couraça de Lisboa, voltei-me para a Igreja da Rainha Santa e pedi a Santa Isabel que me curasse. A partir desse dia nunca mais tive dores e  nunca mais voltei a precisar de tratamentos.

M.C. (1993)

***

Pedi à Rainha Santa a graça de poder conseguir transferência para um curso de Medicina na Univ. de Coimbra, prometendo-lhe ir todos os anos em procissão trajada de estudante.

À última hora, abriram mais algumas vagas e eu consegui entrar. Obrigada minha Rainha Santa.

M.L. (Coimbra – 2008)

***

Meu marido e os atletas da secção de boxe da Académica foram a Cuba e ficaram detidos no aeroporto durante três dias sem ninguém ter qualquer notícia do que se passava. No terceiro dia, chorei desesperada e no oratório da Rainha Santa pedi-lhe “Amiga, dá-nos notícias deles, pois estamos todos muito aflitos”. Tentei ligar novamente pela enésima vez e finalmente consegui ouvir o meu marido dizer-me que estavam todos bem. Pude comunicar aos familiares dos outros atletas essa grande alegria.

Cristina Simões (Condeixa – 2009)

***

Antes do Natal de 2009, apareceram-me umas manchas nas pernas, que se transformaram em nódoas negras. Os pés incharam muito e tinha dificuldade em andar. O médico preferiu deixar-me passar o Natal antes de iniciar o estudo do meu caso, mas foi-me preparando para o pior.  O sofrimento aumentava, as dores eram horríveis e já só conseguia andar de bengala, mas tinha muita fé na Rainha Santa. Na noite de Natal, saí de casa de meus pais pois já não suportava ver também tanto sofrimento na cara deles. De regresso a casa insisti em ir à Missa do Galo. Lá fui quase de rastos e a chorar. Quando regressei a casa, comecei logo a sentir melhoras. Obrigado, Rainha Santa por mais esta graça.

Cristina Simões (Condeixa – 2009)

***

O meu filho fez o exame de acesso à OTOC, mas disse-me que foi difícil e não contava passar. Recorri à Rainha Santa e dos 400 candidatos que fizeram exame juntamente com ele, foi um dos três que passaram.

N.N. (Antanhol – Coimbra – 2010)

***

Meu filho estava desempregado e no dia da festa de Santa Isabel, na missa de Domingo, dia 4 de Julho, na Igreja da Rainha Santa, pedi a Santa Isabel que o ajudasse a encontrar emprego, pois estava desesperado. No dia seguinte, recebeu um telefonema de uma grande empresa automóvel para fazer uma entrevista no dia seguinte. Eram muitos os candidatos, mas ele conseguiu obter o emprego e está apenas a 1 Km de casa. Começou logo a trabalhar na quinta-feira seguinte, dia da procissão da penitência. Obrigada minha santa protectora.

Anónima – Coimbra (2010)

***

Pedi à Rainha Santa Isabel ajuda para que a minha filha concluisse o seu curso. Fui ouvida e graças a Deus fui atendida. Obrigada minha Rainha Santa. Bem haja!

M.A. – Aveiro ( 2011 )

***

Quando me disseram que minha casa tinha sido atingida por uma desgraça grave, pedi, nessa aflição, à Rainha Santa que salvasse os meus meninos. E ela atendeu as minhas preces. Ninguém ficou ferido sequer e a casa salvou-se.

Anónima – Coimbra (2011)

***

No hospital, onde trabalho, piquei-me numa agulha de um doente de que suspeitava estar infectado com SIDA. Fizeram imediatamente análises. Recorri à Rainha Santa pedindo-lhe que os resultados fossem negativos. Assim aconteceu efecivamente. Apesar das suspeitas, não havia vestígios de qualquer doença grave.

Anónima – Coimbra (2012)

***

A Rainha Santa Isabel já há muito que é a minha protectora, tanto nos bons momentos da vida, como nos menos bons. Dou graças por tudo o que me tem dado ao fim destes 53 anos de vida, espero e peço que ela me guarde até ao fim dos meus dias. Que não me falte saude, paz, pão e trabaho, para cumprir com as minhas obrigaçoes mensais. Rainha Santa olha por todos nós, pois tanto ricos como pobres  precisamos  na vida sempre  de algo que nos falta. Ajuda-me e nunca me deixes sozinha……bem haja.

Rosa Maria – Coimbra (2012)

***

Em 1997 foi-me detectado 2 hérnias discais, que me deram a incapacidade total de poder trabalhar. Após muitos exames e tratamentos os médicos decidiram a não me operar, porque tinha 90% de probabilidades de ficar numa cadeira de rodas. Assim, tinha de fazer tratamentos quando tivesse dores e não fazer esforços. Procurava não pegar em pesos que não provocassem o agravamento da situação.
No ano de 2010 o Núcleo de Coimbra da Liga dos Combatentes participou, pela primeira vez, nas duas Procissões com o seu Guião e alguns sócios, onde me ofereci para ser o porta-guião. Sabia que era uma tarefa difícil dado à envergadura  do guião que requer muito esforço para o manter “bem alto”, apesar do vento e a subida da ladeira exigirem mais esforço.
O meu primeiro pensamento foi para que a Rainha Santa Isabel me desse forças para conseguir levar o Guião sem ser preciso ajuda de terceiros. Durante as duas Procissões não senti nenhuma dor, apesar dos meus companheiros me estarem sempre a perguntar se eu estava bem.
Quero aqui deixar o meu testemunho de Fé e a minha devoção que tenho para com a Rainha Santa Isabel. É que desde Julho de 2010 nunca mais tive crises de dores provocadas por alguns esforços que tenho feito, fazendo a minha vida normal como que não tivesse hérnias discais.

Anónimo (2012)

***

Faz hoje 3 meses que a minha protetora,  Rainha Santa Isabel, me avisou de que algo não estava  bem com a minha saúde.
A 8  de Julho de 2012, pretendia dedicar-lhe o meu dia, assistindo à missa em sua honra,  em Santa Cruz e,  depois, acompanhando-a no seu regresso a  Santa Clara . Estava a viver essa expectativa com muita emoção e devoção, pois queria estar perto dela. Ela que esteve sempre tão perto de mim, sempre que invoquei a sua ajuda.
Aconteceu que nesse dia  – da procissão de regresso –  logo pela manhã,  tive um sinal de que algo errado se passava com meus intestinos. Imediatamente entreguei essa preocupação à minha Rainha Santa e confiando sempre na sua ajuda, parti para Coimbra para lhe dedicar o dia como tinha programado. Eu sentia e sabia que ela não ia ficar indiferente e ia interceder por mim junto a Deus.
Em 2 meses e meio fiz exames e  uma cirurgia a 24 de Setembro. Foi-me extraído um tumor maligno e o pós operatório está a correr muito bem. A Fé e a confiança na ajuda da Rainha Santa, dão-me a certeza de que ela continuará a velar por mim.!
Ela até sabe que me chamo também Isabel, em sua honra!…
Rainha Santa Isabel, rogai por todos os doentes com cancro! Amen.

Isabel – Cantanhede,8 de Outubro de 2012

Festas da Rainha Santa 2011

Embora, como é hábito nos anos ímpares, não se realizem as procissões em 2011, nem por isso deixaremos de solenizar com todo o esplendor a festividade da nossa Excelsa Padroeira.
Algumas das celebrações das Festas da Rainha Santa de 2011, designadamente a missa solene das 11 horas no dia 4 e a missa da Real Ordem da Rainha Santa Isabel, serão transmitidas em directo pela internet.
A conexão para o efeito é a seguinte: http://pt.justin.tv/rainhasantaisabel.

Vide programa das festas AQUI»»»

Milagres e Lendas

A vida e milagres da Rainha Santa, que nos chegou em legenda datada do séc. XIV, refere-nos que o miraculoso envolveu, desde logo, alguns aspectos extraordinários da vida de D. Isabel. E deles ressaltam relações materno-filiais, humanas ou divinas, muito vincadas. Nasce a rainha envolta numa pele que a não deixava ver, e que a sua mãe guarda amorosamente, como um bom presságio; a sua filha Constança, depois de morta, dirige-se a ela, rogando-lhe o sufrágio da sua alma; a Virgem Maria aparece-lhe por ocasião da sua morte, aliviando-a no sofrimento; do seu corpo morto jorram líquidos e odores perfumados, sinais da santidade.
Também os milagres ocorrem de imediato durante a sua vida, ainda que a rainha os quisesse ocultar. Cura pelas orações e pelo contacto das suas mãos uma monja de Chelas, uma mulher que tinha uma doença no pé, um gafo que fora espancado, a sua filha que esmorecia de dores, uma criança cega. Cura gratuitamente, quando as pessoas a vêm visitar, ou quando exerce as práticas cristãs, lavando os pés dos pobres na Quinta-feira Santa ou quando dá esmola na Sexta-feira da Quaresma, aliviando assim da doença os mais necessitados. Apenas num caso, quando a rainha ia de Coimbra para o Porto, uma mulher da Arrifana lhe veio ao caminho pedir a cura da sua filha cega, prova manifesta da difusão da sua aura de santa já em vida. A rainha curou a criança, impondo-lhe as mãos nos olhos. A mulher espalha alegremente o prodígio, todavia a rainha pede-lhe, caritativamente, o silêncio, dando roupa à mãe e à filha. Mas como se diz, as pessoas da casa da rainha sabiam.
E é justamente a partir da clientela religiosa ou laica da rainha que a sua fama de santidade, de pronto, se deve ter espalhado. As gentes do povo parecem ter de imediato aderido ao culto da Rainha Santa, dirigindo-se em preces e pedidos até ao mosteiro de Santa Clara, onde estava o seu corpo. Este mosteiro, em que se recolhiam damas da família real e da mais alta aristocracia, tê-lo-á, então, desde logo, fomentado, mais crescendo espiritual e temporalmente com a devoção à sua padroeira. Obnubilando mesmo a projecção do antiquíssimo mosteiro crúzio. Como resposta, a partir do século XV, terá havido uma revitalização do culto dos Santos Mártires de Marrocos, impulsionada pelo prior D. Gonçalo. E na Coimbra Quatrocentista, Santa Cruz e Santa Clara rivalizariam ou ombreariam na atracção dos crentes, controlando já institucionalmente o culto dos seus santos. Para o que foi necessário registar a sua vida e acreditar os seus milagres.
Milagres que são, no seu relato, um documento palpitante de vida. A relação do crente com os santos é complexa, tecida de sentimentos contrários, que oscilam entre o temor e o respeito e a fé, a esperança, a confiança e até familiaridade. Decalcada numa vivência humana do quotidiano, essencialmente contratual e mutualista, assume-se também ela como uma relação de troca, de dom e contra-dom. O que precisa invoca, pede, promete. O santo dá e recebe. O que, no limite, leva a um certo mercadejar com os santos.
Escassos foram os homens que privaram com os santos em vida e deles receberam milagres por palavras, gestos ou contactos. Mais duradoura e abrangentemente o poder taumatúrgico dos santos manifestou-se pelas suas relíquias, guardadas num lugar sagrado.
Então o crente invoca o santo, quase à semelhança de uma encantação, e roga-lhe o favor. Para logo formular a promessa. Materializada, vulgarmente, na peregrinação e oferendas. Voto e promessa que são enunciados pelo próprio ou por outrem em seu nome.
Ainda antes de realizado o milagre se podem levar até ao santuário certas oferendas, mormente de cera. Era um rito de substituição, em quer o fiel, assim materializado pela cera, ficava em contacto mais próximo com as relíquias, considerando-se prometido ao santo e, portanto, mais apto para alcançar a cura. Mas, no geral, as oferendas e os ex-votos eram em testemunho do milagre. Realizado este, e como preito de reconhecimento, depunham-se nos mosteiros ou igrejas, onde se guardavam as relíquias, oferendas simbólicas, como a cera e lâmpadas de azeite, ex-votos figurando a parte do corpo curada, objectos que haviam resultado do milagre ou oferendas compensatórias em géneros ou dinheiro.
A devoção à Rainha Santa Isabel ´+e muito marcada pela religiosidade feminina. Desde logo, dos 16 milagres realizados após a morte da santa, numa das versões dos mesmos, 10 deles operam-se em mulheres. No conjunto dos agraciados há um peso considerável de donas de Santa Clara e servidoras da rainha, para além de um monge, um clérigo, um mestre da Ordem de Cristo, um cidadão de Coimbra, entre outros não identificados, O raio de influência deste culto estendia-se até bem longe, pois há miraculados em Évora, Santarém, Alcobaça, Leiria, Condeixa, Taveiro, Lamego, além de, obviamente, Coimbra. As dores dos fiéis eram várias doenças da boca, inchaços na mão, cegueira, dores nos ossos, as hemorragias devido a sanguessugas, mas também deparamos com situações de outra natureza, como expulsão dos demónios, a libertação de um preso, ou a visita de um filho a sua mãe.
Para se obter o milagre vem-se até junto da sepultura da Rainha, beija-se o seu ataúde ou simplesmente se lhe pede, às vezes tão-só pelo gesto suplicante de erguer as mãos ao céu. O poder taumatúrgico da Santa exercia-se assim nas proximidades do seu túmulo, mas também através de relíquias de substituição, como o pano que havia servido para ligar o braço doente da rainha por ocasião da sua morte, ou ainda, pelo sono e o sonho curativos, ocorridos na própria igreja, logo bem semelháveis aos ritos de incubação da Antiguidade, como os que tinham lugar no templo de Esculápio. Significativamente, uma monja oferece-se à rainha com um ex-voto constituído por uma mão de cera. Por intermédio desta dedicação, e pela presença contínua substitutiva, a mão da religiosa ficou curada em 20 dias.
As mulheres teriam uma particular crença na Rainha Santa, também ela uma mulher. Assim o relato da sua vida apresenta-se como o modelo a seguir, sobretudo pelas damas ricas da aristocracia. Modelo de religiosidade muito humano e acessível, onde o carisma real não se reforça com um excessivo maravilhoso, antes se evidencia pelo contraste das suas virtudes de pobreza, humildade e caridade. Modelo de santidade laico e feminino, onde uma mulher se apresenta na perfeição, em todas as fases da sua vidam numa exemplaridade ética, da infância até ao matrimónio e viuvez.
Em vida, D. Isabel esteve rodeada de mulheres – as donzelas do seu séquito e as que protegeu, as fundadoras de mosteiros que apoiou, as pobres que socorreu, por fim as monjas de Santa Clara com que privou. Não admira pois que 60% dos seus milagres póstumos e 80% dos que ocorreram em vida se tenham operado em mulheres, que são ainda por vezes indutoras de alguns outros. O conjunto das beneficiárias, com um grande número de religiosas e clientes da realeza, indicia-nos uma devoção à rainha essencialmente ligada ao mundo urbano. E de um círculo mais restrito de donas se terá vulgarizado este culto entre as mulheres do povo. Para desde então até aos nossos dias a devoção à Rainha Santa Isabel atravessar todos os crentes num amplíssimo e vivo movimento de fé e culto nacional.

Maria Helena da Cruz Coelho

A Cultura

A imortalidade da Rainha Santa está na recordação das suas virtudes mas está, igualmente, na lembrança da sua cultura, e dos seus vastos conhecimentos que, afinal, fazem jus à sua santidade, porque “a sabedoria não entrará numa alma maligna”.

No Reino de Portugal, nos fins do século XIII, podemos observar três centros principais de produção e difusão de cultura: as instituições religiosas (mosteiros, conventos, colegiadas e sés), a Universidade e a corte régia. Sob a marca, já predominante, do galaico-português, escrito e falado, D. Isabel contactou em Coimbra, e um pouco por quase todo o Reino, com mestres, bacharéis e doutores, bispos, cónegos e frades, arquitectos e físicos, homens, religiosos ou não, mas todos muito cultos. Recebeu ou expediu um número considerável de documentos como bulas, breves, cartas-missivas, doações, testamentos e outros actos escritos. Possuía uma chancelaria de que conhecemos um chanceler, Estêvão Dade, um escrivão, Domingos Martins e os selos, pendentes e de chapa, que usou para autenticar alguns dos seus documentos. Ainda que desconheçamos o grau da sua cultura gráfica, pois dela não chegou até nós qualquer testemunho, pode afirmar-se, como quase certo, que sabia escrever.

Na verdade, o meio cultural e religioso em que vivia era um forte estímulo para desenvolver as suas aptidões culturais e intelectuais. Desde logo, Dona Vataça, sua dama, e prima afastada, era mulher culta, de alta estirpe, possuidora de livros, escrivão e selo.

Contudo, seria D. Dinis a sua principal referência no campo das letras. Era poeta, trovador, fundara o Estudo Geral, estabelecera o galego-português como língua oficial do Reino e assinava com a própria mão as cartas que outorgava. Na verdade, D. Isabel, ainda muito jovem, acompanhou não só o processo de criação da Universidade a que seu marido ficará, para sempre, ligado como outor da “carta fundacional” de 1 de Março de 1290, mas também observou, ouviu, e até inspirou, o género poético musical característico da época, das cortes peninsulares, a canção trovadoresca. Com efeito, pela corte régia passaram muitos jograis e trovadores como Fernão Rodrigues Redondo, Estêvão Fernandes Barreto, Fernão Figueira de Lemos e tantos outros que faziam escutar as suas cantigas de amigo, de amor, ou de escárnio e mal-dizer.

Além disso, na cidade e termo de Coimbra tinham sede alguns dos mais notáveis centros de irradiação e circulação das culturas portuguesa e europeia, tais como os mosteiros de Santa Cruz, de Lorvão e a Sé Catedral. Nesse ambiente, é muito provável que tenha conhecido, pelos livros, nomes grandes, seus contemporâneos, como Roger Bacon, Dante, Petrarca, Marco Polo, entre outros. E ainda que não tenhamos qualquer notícia da sua biblioteca, é de admitir que tivesse possuído e até lido as vidas e obras de Santo Agostinho, de S. Bernardo, de D. Telo e S. Teotónio, de Santo António e até de Pedro Hispano, o Papa português, João XXI, que morreu tinha D. Isabel apenas sete anos de idade.

Não admira, pois, que o seu principal biógrafo, autor anónimo da Lenda ou Legenda da Rainha Santa, a descreva como uma mulher culta nas áreas mais diversas do saber. Conta que ela sabia além da língua materna, latim e linguagem (galego-português). Dos seus conhecimentos litúrgicos, bíblicos e musicais, ninguém ousará duvidar tal era a sua piedade, devoção e prática da lectio divina.

Não se pode duvidar, também, de que sabia de enfermagem, medicina e até, como diríamos hoje, de nutricionismo, como fica provado pela ementa que descreve para os homens e mulheres do hospital de Coimbra, que criou, nesta cidade, por carta passada a 12 de Março de 1328. São-lhe ainda atribuídos conhecimentos de engenharia e arquitectura revelados no acompanhamento da construção das casas do mosteiro de Santa Clara e até do seu túmulo.D. Isabel, Rainha de Portugal, mulher e Santa, culta, inteligente, diplomata, de personalidade forte, destemida, atributos que D. Dinis, em forma poesia, louvou assim:

«Pois que Deus vos fez, Senhora

Fazer do bem sempre o melhor

E dele ser tão sabedora

Em verdade vos direi:

Assim me valha o Senhor!

Érades boa para Rei!

E pois sabedes entender

Sempre o melhor e bem escolher,

Verdade vos quero dizer,

– Senhora que sirvo e servirei:

– Pois Deus assim o quis fazer,

Érades boa para Rei!»

Maria José Azevedo Santos

Túmulo de prata da Rainha Santa Isabel.
Túmulo de prata da Rainha Santa

Túmulo de prata da Rainha Santa Isabel.Após a abertura do túmulo de pedra de D. Isabel de Aragão, em 26 de Março de 1612 e do sequente exame das relíquias, determinou o bispo D. Afonso de Castelo Branco expor à veneração dos fiéis o corpo incorrupto da Rainha Santa. Para o efeito, obteve licença do Papa Paulo V, mandou edificar um arco no coro alto do mosteiro velho e lavrar um túmulo de prata branca e cristal, para onde se faria a trasladação dos venerandos restos mortais.

Tudo leva a crer que teriam sido os ourives de Lisboa, Domingos Vieira e Miguel Vieira os artistas deste novo túmulo, que já estaria pronto em 1614, ano em que os mesmos ourives se encarregaram de executar as gardes da prata que o deviam resguardar. Mas, mercê de vicissitudes várias, a trasladação só se veio a realizar em 1677, aquando da mudança da comunidade para o mosteiro novo. O magnífico conjunto de talha dourada da nova igreja incluiu o retábulo-mor, no chamado estilo nacional, feito em 1693 por Domingos Lopes, com a colaboração de Manuel Moreira. Nele se dispôs uma câmara de caixotões dourados, destinada a receber o túmulo de prata, que foi para aí trasladado no dia 3 de Julho de 1696.

A arca tumular de prata é de austera volumetria: de forma paralelepipédica, coberta por uma tampa em tronco de pirâmide, de planta rectangular alongada. A dureza das linhas direitas quebra-se, no entanto, pela aplicação de colunas, jarras de movimentados perfis e cristais, aplicados em vãos de diversas formas e dimensões. Todos estes elementos se ordenam, em sintonia com as regras dos tratados de arquitectura: as colunas coríntias, de harmoniosas proporções e terço inferior demarcado, dispõem-se emparelhadas e sustentam um verdadeiro entablamento, que as acompanha de forma rítmica, em avanços e recuos. A tampa tem cinco faces, sendo as lâminas gravadas e rasgadas de variadas aberturas, com cristais.

É uma obra que se insere no classicismo do século XVII, decorada com múltiplos ornamentos de gosto maneirista, em que se salientam os grotescos, entrelaçados em liso sobre fundo pontilhado a punção, e as máscaras, vasos de flores e meninos, mais claramente flamengos, que se distribuem pela tampa, sendo merecedores de especial atenção os capitéis, de folhinhas de acanto finamente cinzeladas e repuxadas.

Nelson Correia Borges

Culto

Falecera a Rainha D. Isabel em Estremoz, a 4 de Julho de 1336 e, no cumprimento das suas últimas vontades, logo se procedeu à trasladação do seu corpo para Coimbra, onde chegaria dias depois, sem mostrar qualquer sinal de decomposição, antes exalando, segundo a biografia com toda a probabilidade atribuída a D. Fr. Salvado Martins, que a lenda depois largamente confirmaria, um suavíssimo perfume. Tendo sempre presente a acção da Rainha no exercício da desvelada caridade que praticara em vida e profundamente impressionado pela incorruptibilidade do seu corpo, não tardou o povo a dar-lhe foros de santidade, fazendo do seu túmulo, na igreja do velho Mosteiro de Santa Clara, lugar de oração frequente e da sua memória via de intercessão para levar até junto de Deus as suas necessidades. Prova desse culto espontâneo, mas muito intenso, é o registo dos milagres que lhe iam sendo atribuídos e que pouco a pouco se juntaram à sua biografia. E é por demais significativo que a cerimónia nupcial do futuro Rei D. Duarte com Leonor de Aragão se tenha celebrado, a 22 de Setembro de 1428, na capela do coro velho da igreja de Santa Clara, junto do monumento que encerrava os seus despojos.

E foi a intensificação desse culto que levou o Rei D. Manuel I a solicitar à Santa Sé a sua beatificação, concedida pelo Papa Leão X, por breve de 15 de Abril de 1516, que, como se compreende, não só tornou oficial aquele culto espontâneo, como lhe deu novo incremento e mais disciplinada expressão, até pelo facto de tornar necessário, na diocese de Coimbra e na Capela Real, um ofício próprio, tanto na missa, como nas horas canónicas, cujo texto foi redigido por André de Resende. A participação oficial da Universidade de Coimbra nesse culto, vai trazer nova e mais alta expressão à veneração da Santa Rainha. Com efeito, D. João III, por cartas de 9 de Setembro de 1556, ordenava ao Reitor da Universidade, Doutor Afonso do Prado e ao Reitor do Colégio das Artes que em cada ano ambas as instituições participassem oficialmente nas celebrações que, no dia da sua festa litúrgica, se realizassem no Mosteiro em honra de Santa Isabel.

Cerca de 1560, por decisão da Abadessa D. Ana de Meneses, e com o patrocínio da Rainha D. Catarina, fundava-se uma Confraria sob a sua invocação, cujos estatutos foram logo aprovados e confirmados pelo Bispo de Coimbra, D Fr. João Soares. A participação conjunta de toda a população de Coimbra nesse preito permanente prestado à sua Padroeira estava aí bem expressa pelo facto de um dos mordomos da respectiva Mesa ser um homem honrado da Cidade, sendo o outro obrigatoriamente um Estudante. Assim se compreende que, com o tempo, a Rainha D. Isabel fosse oficialmente considerada como padroeira de toda a Nação Portuguesa, da Dioceses de Coimbra e Leiria e de algumas das nossas mais prestigiosas instituições, como a Universidade e a Academia das Ciências, ou como a Misericórdia de Alvor, multiplicando-se a erecção de confrarias que a tomaram por Padroeira, algumas da quais ainda se mantêm vivas, como a de Soure ou, fora de Portugal, no Brasil e na Califórnia.

Mercê dos esforços da diplomacia portuguesa e, depois em 1580, também da espanhola, o Papa Urbano VIII decreta finalmente a canonização, em cerimónia solene ocorrida em Roma, a 25 de Maio de 1625. A notícia é recebida em Coimbra com grandiosas manifestações públicas e privadas, promovidas pelo Bispo D. João Manuel, pelo Cabido, pelas Ordens religiosas, numa entusiástica demonstração de vitalidade da devoção que todos consagravam à nova Santa, como bem se patenteia na Relação que dessas festas se publicou em Coimbra, logo no ano seguinte. Além deste volume merece referência especial a intervenção da Universidade, como se pode ver pelo volume Sanctissimae Reginae Elisabethae Poeticum Certamen, publicado em 1626, por iniciativa do Reitor D. Francisco de Brito Meneses.

Entretanto a progressiva ruína do velho mosteiro, obrigando à construção de novo edifício de excepcionais dimensões e notável valor artístico no Monte da Esperança, vinha criar condições mais favoráveis à difusão e engrandecimento das manifestações desse culto, como se vê pelas descrições que até chegaram das cerimónias da trasladação, ocorrida a 29 de Outubro de 1677, ainda antes de concluídas as obras.

Numa singular simbiose entre a devoção popular e a participação convicta das instituições civis e universitárias de Coimbra, a Santa Rainha continuará bem presente na memória e no coração dos Portugueses e das gentes desta Região do País. E uma das manifestações mais expressivas dessa presença iria ser, sem dúvida, o â??préstito de capelosâ? à igreja de Santa Clara, que se vinha realizando todos os anos a 21 de Outubro, em cumprimento da deliberação do claustro pleno da Universidade reunido em 21 de Março de 1626, deliberação confirmada quase um século depois, a 10 de Maio de 1716, passando no entanto o préstito para 3 de Julho, e devendo a Universidade assistir no dia seguinte à missa e demais celebrações da festa.

Por provisão de D. João V, datada de 6 de Junho de 1746 e dirigida ao Reitor D. Francisco da Anunciação, ordenava o Monarca que, na festa a que a Universidade assistia â??em préstitoâ?, o pregador fosse sempre um Lente de Teologia, escolhido pelo critério de antiguidade. Por carta de 30 de Junho de 1773, como que a significar que a solenidade dessa procissão se mantinha após a promulgação dos novos Estatutos [da Universidade], ordenava o Marquês de Pombal ao Reitor-Reformador D. Francisco de Lemos que ele continuasse a realizar-se.

D. João VI aprova e confirma o antigo costume do préstito, como se vê pela acta do claustro pleno realizado em 11 de Julho de 1823. Mas a guerra civil em breve iria causar natural perturbação no cumprimento da secular tradição. A partir, pelo menos, de 1866, era o Presidente da Câmara Municipal quem, directamente ou através do Reitor, convidava o corpo universitário a incorporar-se com as suas insígnias na procissão da cidade.

E importa não esquecer outros sinais muito expressivos dessa devoção, que consta quase sete séculos, sobretudo no que toca à difusão da sua iconografia, através das mais variadas formas, mas muito especialmente nos â??registosâ? e nos painéis de azulejo colocados em tantas casas, assim transformadas em santuários familiares desse culto, que pressupunha fervorosos actos de oração pública e privada, documentados por textos como a Novena para a Festa da Augustíssima Rainha de Portugal Santa Isabel (Coimbra, 1762) ou as Preces e louvores dedicados à Rainha Santa (Coimbra, 1915). Culto esse que também se torna visível nas romagens, cumprimento de promessas, invocações e actos de veneração que, em multidões, o Povo de Coimbra, de dois em dois anos, quando a sua Imagem desce à cidade, numa espécie de visita de bênção e de paz, lhe dirige confiante e agradecido.

São estes dados da História, que encontrou na Evolução do culto de D. Isabel de Aragão, de António de Vasconcelos (Coimbra, 1894), a sua melhor e mais completa expressão, e da mera observação da realidade quotidiana, que nos permitem compreender a dimensão, a importância e o significado espiritual e social que continuam a fazer, nos nossos dias, do culto prestado à Rainha Santa um fenómeno vivo, de extraordinária riqueza humana que constitui, sem sombra de dúvida, uma das maiores expressões de religiosidade popular em toda a Europa.

Aníbal Pinto de Castro

Vida

Descendente da Casa Real de Aragão, Santa Isabel nasceu, muito provavelmente, em 11 de Fevereiro de 1270, em Saragoça. Onze anos depois, por procuração, era
realizado o seu casamento com Dom Dinis, consumado em Trancoso, em Junho de 1282.

Tornada Rainha de Portugal, Dona Isabel contemplaria Coimbra pela primeira vez em Outubro de 1282, cidade onde se recolheu após a viuvez e realizou muitas das práticas caritativas acompanhadas de prodigiosos milagres, que viriam a ter como expressão máxima a lenda da transformação do pão em rosas.

Falecida aos sessenta e seis anos, no dia 4 de Julho de 1336, em Estremoz, foi sepultada em Coimbra no dia 11 de Julho.

Datas Importantes

Datas relacionadas com a Rainha Santa

11.02.1270 – Nasce em Saragoça, no Reino de Aragão.
11.02.1282 – Casa, por procuração, em Barcelona,com D. Dinis, Rei de Portugal.
24.06.1282 – Recebe as Bênçãos Matrimoniais com o seu esposo em Trancoso.
03.01.1290 – Nasce D. Constança de Portugal, filha de D. Isabel e D. Dinis.
08.021291 – Nasce de Afonso (D. Afonso IV de Portugal), filho de D. Isabel e D. Dinis.
03.01.1313 – Morre D. Constança de Portugal.
07.01.1325 – Morte de D. Dinis.
1325 – Peregrinação de D. Isabel a Santiago de Compostela
11.07.1326 – Morte de D. Isabel, filha de D. Afonso IV.
08.06.1330 – Sagração da nova igreja do Mosteiro de Santa Clara
04.07.1336 – Morte de D. Isabel em Estremoz.
11.07.1336 – Chega a Coimbra o seu corpo que, por sua expressa vontade, aqui ficou sepultado no túmulo que ela mesma mandara executar.
15.04.1516 – Beatificação pelo Papa Leão X.
04.07.1560 – Criação da Confraria da Rainha Santa Isabel
25.05.1625 – Canonização pelo Papa Urbano VIII
12.12.1647 – Alvará de D. João IV para a construção do novo mosteiro.
03.07.1649 – Lançamento da primeira pedra do novo mosteiro pelo Reitor da Universidade, D. Manuel de Saldanha.
29.10.1677 – Transferência da comunidade clarissa para o novo mosteiro e trasladação do túmulo de Santa Isabel.
26.06.1696 – Sagração da igreja, dedicada à Rainha Santa Isabel.
03.07.1696 – Trasladação do túmulo de Santa Isabel para a tribuna do altar-mor.

11.02.1270 – Nasce em Saragoça, no Reino de Aragão.

11.02.1282 – Casa, por procuração, em Barcelona,com D. Dinis, Rei de Portugal.

24.06.1282 – Recebe as Bênçãos Matrimoniais com o seu esposo em Trancoso.

03.01.1290 – Nasce D. Constança de Portugal, filha de D. Isabel e D. Dinis.

08.021291 – Nasce de Afonso (D. Afonso IV de Portugal), filho de D. Isabel e D. Dinis.

03.01.1313 – Morre D. Constança de Portugal.

07.01.1325 – Morte de D. Dinis.

1325 – Peregrinação de D. Isabel a Santiago de Compostela

11.07.1326 – Morte de D. Isabel, filha de D. Afonso IV.

08.06.1330 – Sagração da nova igreja do Mosteiro de Santa Clara

04.07.1336 – Morte de D. Isabel em Estremoz.

11.07.1336 – Chega a Coimbra o seu corpo que, por sua expressa vontade, aqui ficou sepultado no túmulo que ela mesma mandara executar.

15.04.1516 – Beatificação pelo Papa Leão X.

04.07.1560 – Criação da Confraria da Rainha Santa Isabel

25.05.1625 – Canonização pelo Papa Urbano VIII

12.12.1647 – Alvará de D. João IV para a construção do novo mosteiro.

03.07.1649 – Lançamento da primeira pedra do novo mosteiro pelo Reitor da Universidade, D. Manuel de Saldanha.

29.10.1677 – Transferência da comunidade clarissa para o novo mosteiro e trasladação do túmulo de Santa Isabel.

26.06.1696 – Sagração da igreja, dedicada à Rainha Santa Isabel.

03.07.1696 – Trasladação do túmulo de Santa Isabel para a tribuna do altar-mor.

Biografia

Mais de sete séculos passados sobre o seu nascimento� o que sabemos e o que desconhecemos sobre a vida de Isabel de Aragão? No enredo de datas opostas, interpretações múltiplas, lendas seculares e até acontecimentos fantásticos, é possível, hoje, descobrir com verdade histórica os principais momentos da sua passagem pela terra durante cerca de 66 anos. Isabel, nome também de sua tia, santa e irmã da avó paterna, Dona Violante, nasceu, muito provavelmente, em Saragoça, Reino de Aragão, a 11 de Fevereiro de 1270. Era filha de Pedro III, o Grande, e de Dona Constança de Sicília.

Corria-lhe nas veias, pelo lado de seu pai, sangue das casas de Hungria e de Este, enquanto pelo lado materno descendia de Manfredo de Nápoles e Sicília e de Dona Brites de Sabóia, seus avós. A menina, uma entre vários irmãos, era bonita e atribuiu-se-lhe logo na infância, vivida em boa parte em Barcelona, o gosto pela oração, o poder cândido de gerar afectos e reconciliações, a bondade ingénua e a inteligência promissora. Não admira, pois, que estas virtudes tivessem desencadeado, em várias Coroas do Ocidente Cristão, o desejo forte de a colher como rainha. Recaiu, porém, a sorte, como se sabe, sobre a corte portuguesa. Com efeito, em 1279, subira ao trono D. Dinis, monarca culto, poeta, trovador, neto de Afonso X, o Sábio, célebre pelas suas Cantigas de Santa Maria.

O jovem rei contava, então, dezanove anos e ponderando, entre outras, razões de Estado, decidiu escolher para sua mulher a filha do Rei de Aragão. No dia 11 de Fevereiro de 1281, em Barcelona, realizou-se, por procuração, após copioso intercâmbio epistolar e documental, o matrimónio que seria consumado passado pouco mais de um ano, na Vila de Trancoso, no mês de Junho.

Entretanto, jornadas, festas, e cerimónias à parte, certo é que no fim desse ano de 1282 já Dona Isabel de Aragão, esposa legítima de D. Dinis, estava com a sua corte, em Coimbra, onde iniciará uma vida cheia de magnanimidade e santidade. Aqui, a menina casada se fez mulher, mãe, dos filhos Constança e Afonso, futuro Afonso IV de Portugal, rainha e santa.

Piedosa, de suprema caridade e devota particularmente da Virgem Santíssima, de Santa Clara e de São Tiago, cujo túmulo visitou, em Junho de 1325, a vida terrena de Isabel permanecerá eternamente ligada à acção virtuosa de â??praticar o bem sem olhar a quemâ?. A sua memória é perpetuada pelas esmolas, oferendas, cuidados, curas e milagres, com que enchia as mãos e os corações de homens, mulheres e crianças pobres, enjeitados, famintos, leprosos, doentes, cegos. Paralelamente, com as suas preces e diplomacia, espalha a concórdia e a paz, ora entre o marido e o filho, ora entre este e o neto, ora entre reinos e outros parentes.

Precoce mas duradouro foi o seu casamento. Durou cerca de 44 anos e só a morte do Rei, no dia 7 de Janeiro de 1325, separou para sempre os cônjuges reais. Viúva, a Rainha Dona Isabel veste a partir dessa data o hábito humilde das religiosas de Santa Clara, â??um véu sem votosâ?, e fixa morada em Coimbra, ou seja, no paço que tinha junto do mosteiro das Clarissas, fundado por D. Mor Dias em 1283. Sobreviveu ao marido pouco mais de dez anos, chora a morte de netos e, em Dezembro de 1327, faz o seu segundo e último testamento pelo qual entrega o seu corpo, num túmulo de pedra branca, à igreja do mosteiro de Santa Clara, o seu mosteiro. Entre o paço e o convento, ou melhor, â??com um pé no mundo e outro na casa de Deusâ?, Dona Isabel ia juntando os deveres do trono aos prazeres e devoções dos altares, dos cantos e de Jesus Cristo. Sucediam-se os dias e as orações, os jejuns e as obras pias, a fadiga, e a velhice. Em Junho de 1336, Dona Isabel é informada de que seu filho iria bater-se em guerra com o neto D. Afonso XI de Castela. D. Afonso IV estava, então, com a sua corte em Estremoz e a Rainha, mãe e avó, apesar dos seus 66 anos de idade, empreende uma penosa jornada, de dezenas de léguas, de Coimbra até àquela terra alentejana. Chegou já doente e desfalecendo, pouco a pouco, na companhia de seu filho e nora Dona Beatriz, expirou a 4 de Julho. No dia seguinte, o Rei, dando cumprimento às vontades últimas da mãe, ordena a trasladação do cadáver para Coimbra, onde chegou no dia 11. Sucedem-se, então, solenes exéquias e, por fim, o túmulo é depositado na capela que a Rainha havia mandado construir no convento de Santa Clara. Chegava para Dona Isabel um tempo novo. Com todos os puros de coração, bem aventurados por Jesus Cristo, ela precisava de subir ao Céu â??para ver mais longe e fundoâ?. Na terra, o povo começava a venerar os seus restos mortais, presta-lhe culto, acredita em milagres e na sua santidade. Por tudo isto, D. Manuel solicitou à Santa Sé a sentença de beatificação concedida pelo papa Leão X por Breve datado de 15 de Abril de 1516. Declara-se, então, fundada, na Diocese de Coimbra, o culto religioso da Beata Isabel difundido por todo o Reino em 1556 e fervorosamente praticado, sobretudo, pelas gentes da cidade.

Já no século XVII, a 26 de Março de 1612, procedeu-se à abertura do túmulo tendo declarado quem viu que se achava inteiro e incorrupto. A Rainha era Santa. Assim, passados pouco mais de dez anos, mais precisamente em 25 de Maio de 1625, o Papa Urbano VIII canoniza-a solenemente, enquanto o Rei Filipe III, no dia 14 de Julho do mesmo ano, proclama-a Padroeira de Portugal.

Maria José Azevedo Santos